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O que entra num laudo de avaliação de imóvel — e por que o banco exige perito credenciado

6 de setembro de 2026 · Avaliação de imóveis · 6 minutos de leitura

Quantas vezes você já ouviu "esse imóvel vale tanto" sem nenhum critério por trás? No mercado imobiliário isso circula o tempo todo, e para uma conversa informal serve. O problema aparece quando o valor precisa atravessar um banco, um juízo ou uma partilha: aí a opinião não sustenta nada, e o que decide é o laudo técnico feito conforme a NBR 14653.

Já escrevi aqui sobre quem pode assinar cada tipo de documento e onde cada um é aceito. Este texto trata do que vem depois dessa escolha: o que um laudo tem dentro, quanto trabalho ele dá, e por que os bancos não aceitam qualquer engenheiro para fazê-lo.

As quatro etapas

Um laudo de avaliação não é uma planilha preenchida no escritório. É um processo com sequência definida pela norma, e cada etapa alimenta a seguinte.

Repare que o valor aparece no fim, e não no começo. Um trabalho que já sabe o resultado antes de pesquisar não é avaliação, é justificativa.

O que é o credenciamento bancário

Aqui está o ponto que quase ninguém fora do setor conhece: para fazer laudo destinado a financiamento, não basta ser engenheiro civil com registro no CREA. As instituições financeiras mantêm cadastros próprios de profissionais credenciados, e só aceitam laudos de quem passou por essa habilitação.

O credenciamento é um processo à parte: a instituição abre edital, analisa a formação, a experiência comprovada em avaliações, a regularidade junto ao conselho e a estrutura do profissional. Existe porque o laudo respalda uma decisão financeira de centenas de milhares de reais, às vezes milhões, e o banco precisa de garantia de que a metodologia da norma foi seguida — não da palavra de quem assinou.

O credenciamento é por instituição: estar habilitado em um banco não vale para outro. Antes de contratar, vale perguntar ao profissional se ele é credenciado na instituição específica que vai receber o laudo — e, se o financiamento ainda não estiver definido, confirmar isso antes de fechar.

Na esfera judicial o raciocínio é o mesmo, por outro caminho: o juiz nomeia perito justamente para ter um parecer independente e tecnicamente fundamentado, capaz de resistir ao questionamento dos assistentes técnicos das partes. Laudo que não mostra como chegou ao número não sobrevive a essa etapa.

O erro que mais aparece

Muita gente tenta atalhar o processo pegando o preço por metro quadrado de anúncios da internet e multiplicando pela área do imóvel. O resultado parece um valor, mas ignora quatro coisas que a norma obriga a tratar:

O número que sai daí não se sustenta numa negociação em que a outra parte questione, e muito menos numa análise de crédito ou numa perícia.

Quando você precisa de um laudo formal

Se a finalidade envolve banco, juízo, cartório ou prefeitura, precisa. Se é para orientar uma conversa de venda entre duas pessoas que confiam uma na outra, provavelmente não. O critério está detalhado, caso a caso, no texto sobre qual documento serve em cada situação.

Fontes e observações

ABNT NBR 14653 — Avaliação de bens. A Parte 2 trata especificamente de imóveis urbanos e define procedimentos, métodos e graus de fundamentação.

Lei n. 5.194/1966 e Resolução CONFEA n. 218/1973 — atribuições profissionais em avaliação, perícia e arbitramento.

Os processos de credenciamento de profissionais junto a instituições financeiras seguem editais próprios de cada banco, com critérios e prazos definidos por elas.

Publicado em setembro de 2026. Este conteúdo também circula na newsletter Engenharia com a Relevo, no LinkedIn.

Precisa de laudo para financiamento, processo ou partilha?

Faço a avaliação pela NBR 14653, da vistoria ao laudo com ART, com a pesquisa de mercado apresentada e o grau de fundamentação compatível com a finalidade. Me diga para quem o documento vai — inclusive qual banco, se for o caso — que eu digo o que a sua situação exige.

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